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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Adaptação natural


Os castanhos invadem a paisagem, chegou a hora de me sentar naquele banco de jardim e pensar no porquê da vida nem sempre ter cor.
Ao chegar, sento-me vendo o vento soprar, arrastando as velhas folhas que agora se encontram fracas e quebradiças, e eu acabo por desejar que uma forte rajada de vento me levasse os tristes pensamentos.
Vejo como a natureza se adequada às mudanças, como tudo parece naturalmente fácil.
Porque é que o Homem não se adapta espontaneamente às diferentes circunstâncias? – Pergunto-me em voz alta. E nesse instante um senhor de pele da cor da terra, marcadamente rugosa aparece ao meu lado e diz: O Homem é um ser livre e cada ser humano é único, por isso deve viver tudo por si mesmo, deve deixar que os outros o julguem e que dos seus erros retirem ensinamentos.
Estas palavras voaram até mim, assentaram sobre a minha mente e geraram desordem. A dúvida tomava agora o lugar da questionação e ao começar a falar, a voz dele sobrepôs-se à minha e uma misteriosa frase soou uma vez mais:
Podes ver cores de Outono, mas no teu peito batem as cores da vida, não as deixes esmorecer, vive e realça-as.
E acabadas estas palavras o senhor desapareceu, esfumou-se num ápice e eu levantei-me pronta para seguir um novo caminho.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

(H)era amor


Sentei-me uma vez mais de frente para ti e lá estavas tu com teu tom verde radioso e sempre a trepar, tornando-te cada vez maior.
Sabia que não eras um ser humano, que não ouvias o que te dizia e muito menos me podias responder. Contudo falar para ti acalmava-me, fazias-me sentir compreendida e acompanhada. E naquele dia falei até a voz me doer. Queria chorar, mas não podia, pois tinha prometido que não voltaria a fazê-lo ao pé de ti. Então fechei os olhos durante vários minutos e ao reabri-los vi que estavas coberta de gotas de água. Olhei para o céu e este mantinha-se limpo, olhei para mim e eu permanecia seca. Então o que seria aquilo?
E no meio dos meus pensamentos confusos ouvi uma voz.
- Eu choro por ti, porque quem ama sofre e torna o impossível em realidade.
E nesse momento percebi que afinal era amor – o sentimento que nos transforma.
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