domingo, 30 de janeiro de 2011

Receita do Coração

Fotografia de Timothy Gerdes


Ema é uma jovem de 25 anos, tem olhos cor de mel e cabelos longos e ondulados cor de cacau. É uma rapariga discreta e sonhadora que sempre adorou fazer bolos, por vezes, fazia tantos que acabava por partilhá-los com os vizinhos.
Um dia, após o trabalho, Ema corre para a cozinha, sente-se cansada, mas lá no seu mundo, sente-se finalmente tranquila. As paredes estão pintadas de um terno rosa claro, as bancadas brancas estão impecavelmente limpas, sem dúvida ali a paz reina.
Entrançou o cabelo e pôs o avental que a sua mãe lhe dera à meses quando ela decidira viver sozinha. Depois, abriu uma das portinholas do armário, retirou açúcar, farinha, ovos e mais alguns ingredientes. E colocou-os espontaneamente numa tigela sem se preocupar com quantidades, seguindo somente a receita do coração. Por fim, misturou tudo, pôs numa forma e levou para o forno.
Enquanto esperava pôs uma toalha rendilhada sobre a mesa e preparou-se para se deliciar.
Ouviu o forno desligar, retirou o bolo e desenformou-o. Chegara a hora da fantasia. Ema foi até ao seu pequeno jardim imaginário e colheu diversas flores, todas elas de doces aromas. Depois foi só soprar as nuvens que pairavam sobre o seu jardim e logo depois as bonitas flores poisaram sobre elas. Finalmente, o bolo estava pronto.
Sentou-se à mesa, serviu-se e começou a saborear, porém os lugares em seu redor permaneciam desocupados. Foi então que soou a campainha. Ema esboçou um pequeno sorriso e ao abrir a porta ficou maravilhada ao ver um enorme ramo de flores pousado cuidadosamente à porta. Pegou-lhe e leu o cartão que nelas se encontrava, que tinha apenas inscrito: A realidade pode ser tão doce quanto a fantasia.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Não te escondas!


Não te escondas!
Por favor, não deixes que entrem em ti, que comandem a tua vida e que a levem, como se de nada se tratasse. Esquece as cruéis palavras e afasta-te desses seres a quem chamam pessoas.
Sei que sentes fortemente esta dor que te rodeia sempre que estás só.
Sei que não conheces o mundo e muito menos as pessoas, sendo essa ingenuidade que te fragiliza.
Olho para ti, continuas cabisbaixo a jogar, mais um daqueles passatempos que te faz esquecer a realidade. Isso faz-me pensar em como uma simples brincadeira de criança começa assim a deixar as primeiras cicatrizes, a vincar o teu perfil e a apagar a tua luz.
Sinto-me inútil, sinto que as palavras são em vão, que os meus braços já não te protegem e que os meus beijos não saram feridas.
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