segunda-feira, 16 de abril de 2012

Retratar a tua essência


Após percorrermos alguns metros a pé encontrámos o lugar ideal.
Montei o cavalete, peguei na paleta, deitei sobre ela um pouco de cada cor e fiz algumas misturas para criar uma cor única simplesmente para ti.
Queria pintar, mas queria ainda mais saber retratar a tua essência.
Ao olhar para o teu rosto as minhas escondidas inseguranças dissiparam-se, dado que os teus olhos reluziam como nunca e o teu olhar era capaz de cativar até os pirilampos que avistava ao longe.
Peguei num dos pincéis, pincelei cada um dos traços do teu doce rosto e sussurrei: Parece que o céu escureceu só para fazer brilhar o teu rosto sob as estrelas.
E pouco depois notei que não permanecias mais sentado a fixar o horizonte como eu te pedira e senti a tua mão a puxar a minha, afastando-me dali.
Seguravas um frasco e olhavas para cima, para os pirilampos que inexplicavelmente agora nos rodeavam. E como que por telepatia decidimos começar a correr entre eles e as nossas gargalhadas. Tu, sempre hábil, conseguiste até capturar um, chocando de seguida comigo e dizendo-me:
Podem existir mil rostos no mundo, podem ser usadas infinitas técnicas de pintura ao retratar cada um deles, mas o teu será sempre o mais perfeito, será sempre o que não precisa da luz das estrelas para brilhar.
E depois desta frase, juntámos as mãos no topo do frasco e depressa as retirámos para soltar o pirilampo que voou pelo meio de nós e nos uniu em mais um beijo.


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