quarta-feira, 28 de março de 2012

Amar sem tempo


Debruçada sobre o parapeito da janela revejo este dia e apercebo-me de como o tempo é impaciente e não espera por nós.
Torna-se cada vez mais complicado acompanhá-lo, pois os ponteiros não param de correr e marcam tempos insuficientes para amar.
São lembranças o que carrego e desejos o que procuro.
São aqueles teus doces beijos que não caiem no esquecimento e fazem com que o tempo realmente voe ao pé de ti.
Amar (sem tempo) é estar ali ou acolá quando permanecemos sempre aqui, não é mais do que voar sem asas.
Longe de ti as horas são longas e o tempo horas, mas ao teu lado as horas são escassas e o tempo momentos.
Hoje sei que é o amor que nos transporta para além dos minutos, para além das expectativas e eterniza o tempo.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Fotografia ao luar

Fotografia de Adéla


A noite, um pequeno e fugaz momento de descanso acabara de se tornar num tão longo e desconcertante desassossego que nem a lua que espreita pela janela consegue acalmar.
As temperaturas estão baixas e por isso vou-me deixando ficar na cama, envolta nos quentes lençóis que há dias partilhávamos e que agora se tornaram demasiado nostálgicos. Talvez seja o sono a dominar-me, contudo noto neles o teu cheiro e quase que te consigo sentir a beijar-me antes de adormecer.
Será que aqui estás?
Acreditar que sim não sei se me descansa ou se me abala, mas gosto de pensar que estás comigo outra vez. Gosto de olhar em redor e ver aquelas nossas fotografias, ver o passado a devolver-te ao presente.
Secalhar em sonho, oiço-te dizer-me que o vento tudo leva e tudo traz e o meu coração estremece.
Sendo que tudo parece mais nebuloso após o ecoar do despertador, pois a tua almofada permanece ali a ocupar o lugar que é teu e não dela. Decido puxá-la até mim e juntá-la à minha, porém ao arredá-la vejo um envelope branco com belos contornos a prateado. Sentindo-me ainda mais confusa rapidamente o abro e encontro nele uma fotografia tua. Estás deitado ali mesmo ao meu lado envolto nos mesmos lençóis em que me encontro. Na parte detrás estão as palavras que antes de ir nunca me disseste: Distância não é ausência e proximidade nem sempre é presença, por isso e para que não notes que fui fico aqui contigo nesta fotografia ao luar.

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