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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Terra minha

Pintura de Pedro Weingärtner

Enquanto os seus pais, uma vez mais, trabalham a terra ele dá os seus primeiros passos na agricultura. Traz hoje calçadas umas botas que diz serem como as do avô e ao ombro carrega a sua enxada, preparado assim para fazer os seus primeiros sulcos no terreno por onde passaram diferentes gerações da sua humilde família.
Ao longe vejo no seu rosto a alegria de ali estar, a honra de ser parte daquela gente e daquela terra.
Noto que não perdera ainda a sua inocência de criança e ao cair da noite posso observá-lo a pegar nos pedaços de terra endurecidos atirando-os para o horizonte.
Minutos depois, pega na sua enxada e ruma a casa onde a sua avó está sentada num cadeirão que quase não consegue fazer balançar.
Ao chegar encontra-a envolvida na manta antiga que em pequeno o aconchegara e coloca-se de joelhos junto a ela sussurrando-lhe apenas:
- Hoje peguei na nossa história e mandei para longe o Carlos, pois de agora em diante serei apenas o seu neto. Lutarei pela nossa família com o mesmo orgulho que o avô mostrava sempre que nos reuníamos em torno da pequena e redonda mesa e em cima dela colocava uma refeição para todos nós.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Adaptação natural


Os castanhos invadem a paisagem, chegou a hora de me sentar naquele banco de jardim e pensar no porquê da vida nem sempre ter cor.
Ao chegar, sento-me vendo o vento soprar, arrastando as velhas folhas que agora se encontram fracas e quebradiças, e eu acabo por desejar que uma forte rajada de vento me levasse os tristes pensamentos.
Vejo como a natureza se adequada às mudanças, como tudo parece naturalmente fácil.
Porque é que o Homem não se adapta espontaneamente às diferentes circunstâncias? – Pergunto-me em voz alta. E nesse instante um senhor de pele da cor da terra, marcadamente rugosa aparece ao meu lado e diz: O Homem é um ser livre e cada ser humano é único, por isso deve viver tudo por si mesmo, deve deixar que os outros o julguem e que dos seus erros retirem ensinamentos.
Estas palavras voaram até mim, assentaram sobre a minha mente e geraram desordem. A dúvida tomava agora o lugar da questionação e ao começar a falar, a voz dele sobrepôs-se à minha e uma misteriosa frase soou uma vez mais:
Podes ver cores de Outono, mas no teu peito batem as cores da vida, não as deixes esmorecer, vive e realça-as.
E acabadas estas palavras o senhor desapareceu, esfumou-se num ápice e eu levantei-me pronta para seguir um novo caminho.
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