quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Balão sem ar


Inspirei bem fundo, pois já me ardia o peito de expelir tanto ar.
Mas o que é um ardor no peito quando comparado com uma dor de alma? Absolutamente nada – exactamente o mesmo que me restava, pois até o meu pequeno balão encarnado estava agora sem ar.
E eu precisava de mais e mais ar para encher a maior quantidade possível de balões e mesmo não o tendo, tinha que continuar.
Após terminar, peguei no rolo de guita, cortei vários bocados e atei todos os balões, aprisionando-os, tal como um dia fizeste comigo.
De seguida, amarrei o aglomerado de balões aos meus braços e deixei de sentir o chão. Estava finalmente a partir para outro lugar, para o desconhecido. Sentia as nuvens da incompreensão e os raios da desilusão. Todavia já nada me afectava, porque estavas longe e mesmo estando a perder os balões sabia que não ia voltar, porque afinal de contas tudo tem um princípio e um fim.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

(H)era amor


Sentei-me uma vez mais de frente para ti e lá estavas tu com teu tom verde radioso e sempre a trepar, tornando-te cada vez maior.
Sabia que não eras um ser humano, que não ouvias o que te dizia e muito menos me podias responder. Contudo falar para ti acalmava-me, fazias-me sentir compreendida e acompanhada. E naquele dia falei até a voz me doer. Queria chorar, mas não podia, pois tinha prometido que não voltaria a fazê-lo ao pé de ti. Então fechei os olhos durante vários minutos e ao reabri-los vi que estavas coberta de gotas de água. Olhei para o céu e este mantinha-se limpo, olhei para mim e eu permanecia seca. Então o que seria aquilo?
E no meio dos meus pensamentos confusos ouvi uma voz.
- Eu choro por ti, porque quem ama sofre e torna o impossível em realidade.
E nesse momento percebi que afinal era amor – o sentimento que nos transforma.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Flutua comigo


Eram já três da manhã, o corpo dele estava tenso, afundava-se a cada instante, era necessária uma pessoa munida de alguma robustez para o auxiliar, mas só estava lá ela, que pouco devia à força. Contudo, sempre fora uma combatente e não iria certamente deixá-lo desaparecer. Atirou-se à água e tentou puxá-lo, porém algo anómalo estava a acontecer, ele ao invés de se deixar salvar tentava afogar-se.
Após infindáveis tentativas de salvamento, o corpo dela ficou à tona, deixando o jovem estático. E, subitamente, começaram a esvoaçar camélias por cima deles, acabando por assentar sobre o corpo dela, fazendo-a despertar. Ele surpreendido pediu-lhe perdão e ela apenas disse: - De hoje em diante não remes mais contra a maré, flutua comigo.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O céu da vida

Espero pelo silêncio que me acalma, não pelas palavras que me enganam…
É duro o presente, é melancólico o passado e é um mistério o futuro. Por conseguinte, irei seguir o agora, abandonar o depois e resguardar o que tenho, mantendo-me fiel a mim mesma.
Sei que são dores o que a tua ausência me causa, porém a tua presença nem sempre sei o que provoca. E assim é o céu da vida que, por vezes, nos brinda com uma esplendorosa luz, mas outras apenas nos deixa as suas lágrimas e o seu pesar. E debaixo do céu nublado começo agora a criar as minhas próprias luzes que provêm do coração que está pronto para todas as tempestades, mas nunca sem as tuas palavras de amor.

terça-feira, 20 de abril de 2010

O nosso dia

Por entre as árvores e toda a indisciplinada florestação, fixo o meu olhar em tudo e em nada, procurando-te, ansiosa por te sentir.
E de repente, o céu nublado dá lugar a um sol fulgurante que incide sobre ti, tornando-te o coração de tudo, ou pelo menos o meu.
Observo-te enquanto passeias à beira do lago e tropeças nas pedras que transformas em penas, fazendo destas sonhos e dos sonhos a felicidade real.
Ao querer ser a tua realidade aproximei-me de ti e tu sem hesitar usaste, uma vez mais, a tua magia que cola cacos concebendo Obras de Arte.
Por fim, abraças-me e eu sussurro ao teu ouvido “Obrigada por tornares o meu dia no nosso dia”.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Missão de Fogo


Sou apenas fragmentos daquilo que fora à tempos.
A ignorância e inocência de criança abandonaram-me e agora apenas me resta a desilusão. Tudo o que consigo manter é a mágoa, que me invade, que me destrói, que corrói o meu ser.
Não há viver, somente existência.
Em mim encontro aceso o fogo da tristeza.
O que me resta é destruir o pouco que ainda tenho e aos poucos afundo a cor e afogo-me na minha escuridão. Não me vou salvar do que me fora designado.
Resta-me mentalizar-me e autodestruir-me.
A tristeza irá incendiar-me e terei cumprido o que cumprido teria de ser.

sábado, 10 de abril de 2010

Rapariga-Sonho

Chegara a hora de todas as verdades e lá estava ela, a “Rapariga Sonho”, chamavam-lhe assim por causa do seu sonho de poder mergulhar o mundo num livro tão cor-de-rosa como as suas fantasias de criança.
O seu verdadeiro nome é segredo, tem uma tenra idade e a escrita significa para si o que a água representa para o Homem.
Tudo começou quando era uma adolescente de 13 ou 14 anos e naqueles dramas característicos dessa fase, sentiu a revolta contra o Mundo o que a fez tropeçar nesta relíquia denominada escrita.
Estava consciente da ficção do seu sonho e neste momento gostaria somente que lhe dessem uma sincera opinião acerca dos textos da sua autoria.
E agora, enquanto aguarda por uma opinião senta-se na sua cadeira da imaginação, a ler. Quer saber quais os truques para escrever de uma forma tão fascinante, quer poder cativar o mundo pelas palavras.
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